Domingo, 5 de Julho de 2009

FLIP: cartéis hoteleiros e gripe suína

Publicado no Paralelos Blog

Mariel Reis entrega o jogo sobre o cartel que se formou em Paraty, com hotéis, pousadas e albergues combinando a venda somente de pacotes (finda a opção de ir para se curtir somente um ou dois dias). Mariel tentou isto e lhe ofereceram a "possibilidade" de pagar agora, não usar todos os seus dias e contar com um "crédito" para passeios futuros (!).

Em momento de gripe suína, o hipocondríaco Mariel também revela seu medo de contrair a dita cuja, em ambiente repleto de estrangeiros, na alternativa infeliz de ter que dividir quarto de albergue com dezenas de gringos vindos não se sabe donde.

Seja por medo de contrair a doença, pela impossibilidade financeira de se ir à cidade ou mesmo pela opção pessoal de não se entregar à festa que, para alguns (desde sempre?) é menos literária e mais de badalação (e qual o problema em se badalar em cidade tão aprazível, se nos intervalos entre uma cachaça e outra se pode escolher ser espectador de debates tão interessantes quanto os das mesas de Tatiana Salem Levy, Rafael Grampá, Milton Hatoum, Gay Talese e tantos outros?), a organização vem procurando - como informa Marcelo Tas - algumas alternativas (como o Canal Flip no YouTube) para "atender a uma gigantesca demanda de quem não pode ou não tem condições de" participar da, atualmente, mais esperada, comentada, odiada e amada festa literária brasileira.

Eu participei da Festa em 2004, na condição de participante do grupo Paralelos, para a oficina de romance ministrada por Milton Hatoum. Era o início de uma festival literário que inflou, se tornou um evento turístico, é bem verdade, e o instante de badalação sobre um mercado que, ao longo do ano e fora do círculo feito de escritores/críticos/leitores ávidos, nunca encontra espelho em nenhum outro momento do ano, nacionalmente falando. A FLIP é um inchaço em um mercado nacional que não tem leitores suficientes e se sustenta de parcas formas, editando os gigantes produtores dos best-sellers e fazendo o leitor médio achar que literatura brasileira é Paulo Coelho. Eu acho saudável que exista um festival desta grandiosidade no Brasil - o que acho elitista são os valores que hoje se cobram para o evento, a loucura faturista que toma conta da cidade (que sempre foi turística, sempre conseguiu explorar naturalmente sua condição de cidade histórica) e o clima de ainda maior distanciamento que isto, consequentemente, acaba causando entre leitor-literatura. Ora, se o festival se torna impraticável para muitos, a literatura naturalmente também, ou não é?

No ano em que fui, não sei se pela prévia organização que Augusto Sales teve, negociando antecipadamente albergues para toda a cambada do Paralelos, ou se pelo caráter ainda em formação que a festa tinha, a idéia que tinha era que tudo era mais natural, simples, acessível Caminhava-se trombando com Scliar, tomava-se vinho ao lado de Jeffrey Eugenides e chutava-se as pedras assim como um distraído Coetzee. É claro que via-se o show de Caetano Veloso e a presença de Chico Buarque então tinha um caráter mais ligado à sua notória figura do que a sua - hoje - notória literatura.

Desde então, venho tentando voltar à feira. A falta de possibilidade de conciliar a agenda dela à minha, profissional e pessoal, tem impossibilitado tal fato. Enquanto isto, sigo achando que tudo inflou demais, os preços estão exorbitantes demais e que tal fato só serve para perpetuar a idéia média de que a literatura está em um altar. Distante demais.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

A velha eterna saudável discussão

Oficinas literárias ensinam a criar?

As primeiras notícias sobre oficinas literárias datam da década de 30. Oficialmente, em 1936, Wilbur Schramm deu a aula inaugural da disciplina que se espalharia pelo mundo como Escrita Criativa. Scramm era professor da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, e seu Program in Creative Writing continua até hoje. Por lá já passaram os brasileiros Affonso Romano de Sant’Anna, Charles Kiefer e João Gilberto Noll. A proliferação ds laboratórios de texto gera discussões quanto à eficiência do ensino. Para uns, massificação da literatura, para outros tão válido quanto aprender a tocar um instrumento.

Mais? Passa lá nAs Novas Letras de Porto Alegre.

Sábado, 20 de Junho de 2009

Desista

Que conselho o senhor daria a alguém que deseja dedicar-se à literatura no papel de escritor?

Meu conselho-padrão, que muita gente acha que é piada mas é sério, costuma ser o seguinte: desista se for capaz. O mundo da literatura parece charmoso e tal, mas a verdade é que o jogo é muito duro e nem sempre leal, as recompensas são fugidias e as chances de fracasso - não só comercial, mas estético mesmo - estão todas contra você. Agora, se depois de considerar tudo isso o sujeito ainda for incapaz de desistir do seu plano maluco, então é escritor mesmo, e nesse caso todos os conselhos se tornam fúteis. Cada um tem que encontrar seu próprio caminho. Ler muito, ler tudo, e não ter pressa demais de publicar talvez sejam recomendações úteis. Arranjar um jeito de sustentar seu “vício” também me parece um bom toque. A menos que seja rico de berço ou de baú, um escritor deve ter outra profissão, sob pena de ser levado pela ânsia do profissionalismo a vender seus escritos cedo demais, tornar-se um marqueteiro juramentado ou sair à caça de bocadas estatais - e nada disso é muito saudável para aquilo que realmente importa, isto é, o texto.

Sérgio Rodrigues, em entrevista no Rascunho.

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Já eras

E o diploma de jornalismo foi pra banha.

O segredo de Cortázar

É verdade que este tipo de publicação costuma trazer muito mais informações circundantes à atividade principal do biografado do que propriamente dados que joguem mais luz sobre sua obra. Mas também é verdade que, misto de curiosidade, interesse extremo e a mais profunda obsessão por qualquer coisa que venha a dizer respeito à ele, me agrada muito a existência de uma obra como El secreto de Cortázar (O Segredo de Cortázar), de Emilio Fernández Cicco - um livro que já tem lá a sua idade, publicado há dez anos pela Editorial de Belgrano - mas da qual soube agora, através do blog de Ariel Palacios.

Também é fato que será uma dificuldade pôr as mãos neste livro, já esgotado e que, com certeza, não irá se oferecer pra mim num obscuro sebo qualquer. O que me restou, por enquanto, foi me deleitar com o tipo de relato presente na obra, dando conta da tenra idade de Cortázar, sua adolescência tímida e seu início profissional como um imberbe professor de Literatura - e mais um longo caminho até se firmar como excepcional escritor: condição que só foi reconhecida quando exilou-se na França, nos anos 50, tornando-se um grandioso sucesso.

Até chegar a isto, no entanto, temos um Cortázar abandonado pelo pai (também Julio Cortázar - fato que o levou a assinar os primeiros trabalhos como Julio Denis), e com certas dificuldades no campo amoroso. É claro que o livro também abarca as movimentações políticas de Cortázar, quando era visto como um comunista nos seus anos de professor em Chivilcoy e em Mendoza.

Uma das declarações mais engraçadas é de sua irmã, Ofélia, indo ao encontro do reconhecimento de Cortázar como um escritor que evitava concessões. Cortázar não costumava mostrar os contos para que os lessem antes de publicado. “Quando o livro saía ele nos dava de presente e pronto. Alguém compreende os livros de Julio? Você teve paciência para ler ‘O jogo da amarelinha’. Ufa ! Por favor...Eu não consegui ler esse livro jamais...”.

Independente de informações muitas vezes comezinhas que servem tão somente à satisfação de nosso apetite curioso, este livro deve ser incrível não somente para os fãs mais ardorosos do gigante argentino que completaria 95 anos se estivesse vivo, mas até mesmo para quem interessa - e sempre há quem queira - desenhar os paralelos que são possíveis sobre como a formação do então Cortázar tornou-o O Cortázar.


Domingo, 7 de Junho de 2009

Processo

Milton Ribeiro está sendo processado por um texto postado em seu blog, em que exerce um tanto de crítica à texto de Leticia Wierzchowski, autora de A Casa das Sete Mulheres, e outro tanto se presta à criação de trocadilho com o nome da escritora. O que originou o processo foi um post seu comentando crônica da autora publicado no jornal Zero Hora - além de apontar erros de espanhol no romance mais famoso dela (o citado acima).

Não obstante as alegações de danos morais pelo trocadilho, desnecessário e que passa alheio ao trabalho de crítica literária, este caso é de se acompanhar particularmente por todos que, de alguma maneira, exercem crítica cultural, por que toda a consideração estética feita por Ribeiro é definida no processo como "aleivosias", abrindo, talvez, precedentes para futuras práticas legais desta estirpe, quando artistas que se considerarem ofendidos por comentários negativos usarão de jurisprudência para defenderem seu quinhão. A história tem continuidade aqui, já que Ribeiro se predispôs a informar de todo avanço no processo.

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Letras Gaudérias

As Novas Letras de Porto Alegre é o nome do blog que divulga adivinhe o quê? Um doce para quem levantou o dedo dizendo que são os novos autores gaúchos. Blog muito bacana que conheci hoje através do blog do Bernardo Moraes. Notícias, entrevistas, a nova cena literária do sul. Tá tudo lá. Recomendo.

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